Os cineclubes na Galiza

Mais de cinquenta anos de história, de história mau conhecida, mas de história indispensável para conhecer o desenvolvimento da cultura cinematográfica do nosso país. Pois foram os cineclubes os principais promotores da mesma, sobretudo nos tempos em que a exibição comercial estava (e o segue estando) cheia de vulgaridade, e a censura política fazia impossível a visão de muitos filmes pelos canais comerciais.

No âmbito dos cineclubes, o cinema converte-se em elemento de debate, estudo crítico, e nele se vão forjar os espetadores recetivos e críticos com o facto cinematográfico.
Ainda apesar das obstruçãos de todo o tipo (económicos, de infraestruturas materiais, administrativas… etc.), conseguiram que o nosso panorama cultural atual não seja um território desértico.

 

Linha temporária dos cineclubes na Galiza
1954  O 13 de junho de 1954 começaram as atividades do cineclube Pontevedra.
   
1961  O 5 de novembro de 1961 constitui-se o cineclube do SEU de Santiago (embora mudou várias vezes de nome) da mão de Ezequiel Méndez Vidal; a sua primeira projeção foi a fita de Alberto Lattuada «» (O capote). Chegou a contar com um milhar de sócios/as sendo o mais importante por aquele tempo no estado espanhol. Desapareceu em 1975.
   
1966  Constitui-se o 18 de fevereiro de 1966 o cineclube Valle-Inclán.
   
1969 Nasce O cineclube Carballiño com o objectivo inicial de promover a cultura cinematográfica no distrito do Arenteiro.
   
1970 A princípios do curso 1970-71 nasce, como atividade cultural dentro da Escola de Magistério de Ourense, o cineclube «Padre Feijoo», herdeiro da tradição cineclubista da cidade que durante os sessenta foi representada pelos cineclubes Ourense, Miño e Alianza Francesa (AFO).
   
1974 Na vila de Celanova, põe-se em funcionamento o cineclube Solpor da mão dos irmãos Manuel e Cesáreo Iglesias Grande, que 2 anos antes tinham criado um clube juvenil com o mesmo nome, organizando durante mais de uma década na «Semana de Cinema» no verão. A última atividade do cineclube aconteceu no ano 1989.
   
1976 Funda-se o cineclube Ádega. Da sua importância consiste o facto de ter sido em Vilagarcía onde se fundou a Federação de Cineclubes da Galiza no ano 1984.
   
1977 Começam as atividades cinematográficas do cineclube Cangas.
   
1979 Em Vigo, nasce a , que nos seus primeiros anos de atividade foram capazes de organizar —embora de efémera vida— um cineclube e projetar filmes em versão original. As projeções matinais dos sábados deram local às primeiras «Xornadas de Cine Galego en Vigo» en 1980, paradoxalmente no ano do referendo do «Estatuto da Galiza» e na que se produz o último filme de cinema galega da década. Com a publicação em maio desse ano da «Escolma do Cine Galego», uma revisão crítica sobre o nosso cinema, fecharam definitivamente uma etapa.
   
1980 O cineclube «Groucho Marx» inicia os seus primeiros passos a princípios deste ano.
   
1982 Creia-se em Compostela o cineclube Carlos Varela Veiga, em memória do (e presidente do cineclube Valle-Inclán); (fundador do cineclube de Compostela) recolheu parte das suas gravações e dirigiu CCCV (2005). A entidade manter-se-ia em ativo até o ano 1987.
   
1984 Da mão do professor Xesús Rodríguez Carracedo cria-se o cineclube Carballo, que conformaria junto Frutos Fernández González, Antonio García Losada, María Jesús Sales Illán, Ramón Tasende Pombo, Xosé Manuel Facal Díaz (o qual faria parte também da junta reitora da «Feciga»), Jaime Díaz Alonso, José Antonio Díaz Alonso, José Antonio Deus Vázquez, María Elisa Santamarina Fernández e Mari Carmen Vila Añón nos principais (entre outros/as) dinamizadores culturais da vila com o mesmo nome da associação, durante 10 anos; atividades como a maratona em natal ou na semana de cinema, com a presença de atores e atrizes do cinema galego e espanhol, destacando a apresentação de pelo filme «» (Os Amantes) de . Projetavam semanalmente nas sextas-feiras, no cinema Rega até a sua dissolução em setembro de 1995.
   
1989 No ano 1989, e como reação à carência de cinema na vila de Boiro, nasce o cineclube Barbanza. A sua programação se alicerçou em torno de filmes em versão original e títulos com certa popularidade mas escolhidos com critérios de qualidade. Projetavam um filme a cada quinze dias.
   
1992 Nasce o cineclube O Castelo. As primeiras projeções realizaram-se em formato 16mm na Casa da Cultura, cedida pela Câmara Municipal de Alhariz. A partir de outubro de 1992 começou-se a fazê-lo em formato 35mm com uma periodicidade quinzenal, nas sextas-feiras, e com um parêntese de descanso durante os meses de junho a outubro.
   
1993 Germina em Chantada o cineclube Os Papeiros, onde a primeira atividade mais destacada que organiza, entre outras, é a «I Semana de Cinema» (cinema ao ar livre em 35mm). Em junho de 2014 na aldeia de Garabelos, o «cinema Palleiriso», uma aposta em o cinema no rural.
    ‐     Em Vigo, cria-se o cineclube «Lumière» por um grupo de pessoas de diferentes profissões com o fim de incorporar à cidade outro canal cultural, outra forma de ver o cinema. O nascimento do «Lumière» supôs recuperar para a cidade olívica uma atividade que não tinha continuidade desde o ano 1982, data na que desapareceu o último dos cineclubes vigueses dos anos setenta.
   
1994 Em Redondela joga a andar o cineclube Claqueta, para neutralizar a carência de uma sala de cinema no distrito. Nos primeiros anos, as projeções realizavam-se em formato 16mm, mas a limitada oferta de filmes nesse formato e o mau estado de muitas das fitas foram determinantes para que a partir do ano 1996 as projeções do cineclube passassem a realizar em 35mm. A possibilidade de utilizar o projetor da «Feciga» foi determinante na mudança de formato.
Desde a sua criação, o cineclube contou com o apoio da Câmara Municipal de Redondela, que cedia a sala de projeções (Multiusos da Xunqueira) e subvencionava parte da programação. No ano 2000 supôs um impulso na atividade do cineclube, com uma programação estável, em media, um par de filmes ao mês.
   
1995 Em Burela surgiu, da mão de Vicente Sempere Sempere e Alfredo Llano García, o cineclube Os Matos que consegue acordar o passatempo de muitos marinhans pelo mundo do celuloide. A sua apresentação foi com o filme «Cielo Negro» (Céu Negro) do diretor galego Manuel Mur Oti, contando para a ocasião com a única cópia em poder da Cinemateca Nacional. A iniciativa vai desfalecendo com o fechamento da sala Mon (2002). Despediram-se em junho 2004, na «Casa dá Cultura de Burela», com uma projeção de curta-metragems galegos.
   
1996 Em Sarria, surgiu a ideia de criar o cineclube «La Unión» no seio da sociedade do mesmo nome, como motor da atividade cultural e recreativa sarriana. Apesar de que só funcionou 2 anos, estava em projeto a sua recuperação (2011). Programavam uma vez ao mês no cinema Cissa e no salão da sociedade, além de organizar exposições de fotos e ciclos diversos. Durante estes dois anos de funcionamento conseguiram a participação de , que naquele momento rodava em Sarria o filme «» (Aos que Amam), em uma tertúlia que seguiu à projeção de «» (Coisas que Nunca te Disse).
   
1997 No mês de maio, en Moanha, criou-se o cineclube Alexandre Cribeiro graças às inquietudes de um grupo de garotos e garotas da localidade preocupados pela situação de decadência do cinema no distrito do Morrazo. Naquele ano fechava a única sala de cinema de Cangas, e penúltima da comarca, seguindo o desastre cinematográfico que levou a deixar a vilas tão importantes como Marín e Bueu sem projeções.
Em Moanha teve que suportar a destruição do cinema Prado e o fechamento temporário do cinema Veiga.
Tendo já o grupo humano organizado, e contando com a colaboração do próprio cinema Veiga, se fez a apresentação e a primeira projeção, que contou com a participação do escritor .
A projeção —com entrada gratuita— foi do filme «» (Cinema Paraíso), de .
Iniciaram as projeções em 35mm, mas em meados de 1998 viram-se na necessidade de mudar ao formato 16mm, por causa da morte do proprietário do «Cinema Veiga» e ao fim da atividade da sala. Para poder seguir com uma atividade regular, solicitaram à Câmara municipalMunicipal o uso do «Centro Cultural Daniel Castelao», e compraram um projetor de 16mm, o que lhes permitiu poder continuar com as projeções, embora com menor qualidade.
Em julho de 2000 organizaram a «I Semana de Cinema» baixo o título de «Clásicos do Cine Mudo»; além de outras atividades, como uma conferência a cargo do professor Xosé Nogueira Otero, sobre «A história do facto cinematográfico na Galiza».
    ‐     Neste ano, reúnem-se em Monforte de Lemos um grupo heterogéneo de pessoas na Casa da Cultura, a convocação é para constituir o cineclube A Calexa.
   
1998 O cineclube Poleiro foi criado em setembro de 1998. Começou com a finalidade de servir como germe da promoção cultural dentro da comarca do Baixo Minho, e propor nela pontos de encontro cultural, em uns momentos em que só o Cinema Avenida da Guarda tinha uma programação estável durante os fins de semana.
   
1999 Graças ao esforço de um grupo de objetores de consciência, emerge o cineclube Bueu na Câmara Municipal onde realizavam a sua prestação social.
   
2001 O 15 de abril do 2001 fica constituído o cineclube de Compostela, graças ao empenho de um grupo de jovens universitários/as, estudantes da Faculdade de Ciências da Comunicação.
    ‐     A inquietude de um grupo de aficionados ao cinema joga a andar o projeto do clube de cinema Cinematógrafo de Salceda de Caselas. Tinha como fins a promoção e a difusão da cultura cinematográfica, o que era importante em uma vila sem sala comercial; a aproximação do cinema à sociedade de uma forma crítica e educativa, editando uma pequena brochura informativa referente à projeção que se realizava; e o potenciamento do interesse pelo estudo e o goze do cinema, aproximando às gerações mais jovens. A sala de projeção, o projetor, a equipa de som e o ecrã eram oferecidos pela Câmara Municipal de Salceda de Caselas e o Colégio Público Altamira. Por problemas de equipamento, no ano 2005 tiveram que deixar a sua atividade.
   
2002 Com o objetivo primeiro de oferecer à comunidade universitária de Vigo em primeiro termo, e por extensão ao resto da sociedade, o cineclube Universitário Kinema iniciou as suas atividades como associação dedicada à promoção da cultura cinematográfica; um canal de aproximação à cultura cinematográfica nas suas diferentes facetas e modos de expressão.
No ano 2003, as atividades iniciadas no ano anterior conseguiram maior difusão na sociedade, com um crescimento nas cifras de assistência às projeções e as mostras de interesse e apoio recebido. O cineclube contava com o apoio da Câmara Municipal de Vigo e da Universidade de Vigo através da Vice-reitora de Extensão Universitária.
   
2004 Uma década após que o último cineclube redondelán iniciasse o seu périplo, nasce o cineclube Fantasio. Contou também com a colaboração das comissões permanentes de Cultura e Participação Cidadã da Câmara Municipal de Redondela. Realizava as projeções no , e programava um filme a cada quinze dias, sempre em versão original. Também faziam projeções de cinema infantil em natal. No ano 2007 cessou a sua atividade.
   
2006 Em Verín, cria-se o cineclube «Nosferatu» promovido por Manuel Aián, antigo gerente da sala de cinema «Buenos Aires» que fechasse dois anos antes, para atenuar de alguma forma a falta da sétima arte na vila, localidade que em tempos pretéritos (1979) já tinha contado com a breve etapa do cineclube Cigarrón; inauguraram as projeções com e o seu filme antibelicista « (Glória Feita de Sangue), programando um filme na a cada quinta–feira até outubro de 2013 no que cessou a sua atividade.
   
2013 Em Viveiro, germina o cineclube «Pensamento e Sementeira» por parte do agrupamento cultural do mesmo nome (PeS); a sua primeira projeção foi em janeiro do 2014, um trabalho de Seném Outeiro «A Fazaña da Liberdade», filme autobiográfico do intelectual galeguista .
   
2014 Em Noia, surge o cineclube Liceo promovido pela sociedade artística, cultural e recreativa do mesmo nome, atividade cinéfila que já tinham desenvolvido no seu passado.
    ‐     A ausência de oferta cinematográfica na comarca do Deza, propicia a génese do cineclube «Dzine» com uma apelação realizada com sucesso nas redes sociais, por parte do escultor Javier Iván Hita Rodríguez para a sua constituição; o compromisso por parte da cidadania e o apoio de diferentes associações ficava patente, ante a desídia política da cãmara municipal lalinense. No ano 2017 cessaram a sua atividade.
   
2015 Em Marín, erige-se o cineclube Ateneo vinculado ao agrupamento Santa Cecilia que o põe em funcionamento; por este médio e com muito esforço tentarão pôr o cinema de todos os tempos, além do atual, longe da dinâmica que avassala os ecrãs comerciais.
    ‐     Nasce o cineclube «A Illa de Arousa» devido ao impulso da corporação autárquica nesse momento, aproveitando a completa instalação de uma equipa de projeção no auditório, tentando recobrar a saudade atividade cinéfila realizada pelo coletivo Dorna (ACDD) três décadas atrás.
    ‐     Surge em Viana do Bolo, o cineclube «A Lanterna» graças à iniciativa de uma dúzia de garotos e garotas do oriente ourensano, com o objetivo de aprender do cinema e que as suas propostas cinematográficas sejam capazes de gerar debate e sensibilização com os problemas que afetam à sociedade.
   
2018 Na comarca de Vigo, um par de pequenos grupos de pessoas começam dois novos cineclubes, em Nigrán o cineclube Val Miñor «Alice Guy» com o objetivo de acercar e difundir a cultura cinematográfica na comarca minhorana. Contam com a cooperação da Câmara Municipal e projetam no seu auditório a penúltima quinta-feira de mês. Em Vigo, o «Sunset Boulevard» especializado em cinema clássico.
   
2019 Em Betanzos, vila onde acolheu o cinema mais antigo do estado, a sala Alfonsetti, a Associação GCDJ «Lar de Unta» começa a andar um cineclube que tem o mesmo nome que o coletivo patrocinador. O primeiro audiovisual em projetar-se foi o trabalho de Xosé Antón Bocixa e Paco Gallego «Estruturas Pel_contra_pel» no seu , um velho estábulo do Marquês de Figueroa situado em pleno centro histórico, acondicionando uma das paredes a modo de ecrã de cinema. A sua programação pretende complementar a oferta que oferece a Câmara Municipal no Alfonsetti (de titularidade autárquica), quiçá «mais comercial» por filmes de autor e produções que, comummente, não se podem ver nos cinemas.
   
2020 Em Ferrolterra, na freguesia de Barallobre (Fene), a associação «Patio de Butacas» põe em funcionamento um cineclube com a mesma filiação que a do coletivo cultural; o seu local social situa-se no velho cinema Adriano e têm o propósito de recuperá-lo (desde a criação da associação no ano 2016) em um espaço aberto para a cultura e a arte, interesse partilhado com o coletivo «Fotoforum Lumen», que foi quem de iniciar uma intervenção artística, em um ano antes, leiloando as obras para arrecadar fundos para a sua restauração.
Assinalar que a atividade cineclubista na comarca remontam-se aos anos 70, destacando o cineclube Concepción Arenal em Ferrol, depois «Sociedade Cinematográfica Ferrolana» precursora da segunda etapa ou refundação do «».
   

 

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